A tireóide é uma glândula que se localiza na porção inferior do pescoço e possui forma de borboleta. Sua função consiste na produção dos hormônios T4 (levotiroxina) e T3 (triiodotironina), a partir do estímulo do TSH (hormônio estimulador da tireóide). Apesar de ser produzido em quantidade bem menor, o T3 é muito mais potente, ocorrendo conversão para o mesmo de grande parte do T4 formado no corpo.

O bom funcionamento da tireóide é fundamental para diversos componentes da saúde, incluindo os objetivos de um esportista/atleta, sendo o hipotireoidismo uma das preocupações mais comuns dos praticantes de exercícios físicos na prática diária de consultório.

No aspecto musculoesquelético, os sintomas do hipotireoidismo podem incluir dor muscular ao movimentar-se, fadiga, cãimbras, fraqueza e diminuição dos reflexos. No aspecto fisiológico e bioquímico podem ocorrer alterações importantes na composição e disposição das fibras musculares tipo I e II, ressíntese de ATP e metabolismo do glicogênio. É válido mencionar que não existe correlação direta entre a intensidade dos sintomas e a severidade das alterações em exames laboratoriais (como CPK e hormônios tireoidianos), assim pacientes com pequenos desajustes em exames podem ser bastante prejudicados na performance, como os atletas, devido ao seu amplo grau de exigência física e metabólica.

O tratamento bem como as metas terapêuticas de TSH (hormônio estimulador da tireóide) devem ser individualizados para cada caso. A abordagem é feita tradicionalmente com a reposição do hormônio T4 (levotiroxina), e em alguns casos pontuais de má conversão do T4 em T3, este último pode ser associado e não usado isoladamente (polimorfismo na enzima deiodinase tipo II, autoimunidade – Hashimoto). Além disso, a pesquisa de alguns distúrbios de nutrientes deve ser feita, como selênio e vitamina D, e também o rastreio do uso de alguns medicamentos que podem interferir nas dosagens hormonais.

Algumas perguntas ainda permanecem dentro da Medicina Esportiva quanto a essa conversão tireoidiana do T4 em T3, especialmente em algumas modalidades como triathlon, corridas de longa distância e ultramaratonas.

É importante dizer que, assim como o hipotireoidismo é prejudicial, os tratamentos exagerados e incoerentes muitas vezes vistos podem ser tão ou mais maléficos, por induzir a um estado hipermetabólico com repercussões ósseas e cardiovasculares.